Alguém que nunca soube o que fez.
Agendar uma conversaUma mulher vivia em um casamento violento. O marido era um pilar da comunidade: gentil em público, brutal em casa. Como a maioria dos agressores, ele a convenceu de que a culpa era dela: pelas coisas estúpidas que ela dizia; pelas coisas estúpidas que ela fazia.
Com o tempo, ela começou a acreditar.
Tudo mudou em uma esquina de Nova York.
Ela e o marido estavam esperando o sinal abrir, quando ela notou um prédio art déco e disse:
Querido, olha que prédio bonito!
Ele, achando que ninguém estava ouvindo, respondeu com o tom que reservava para as quatro paredes:
Sua idiota! Você quer dizer o prédio amarelo? Qualquer pessoa com olhos na cara vê que é um prédio completamente normal!
Ela fez o que sempre fazia... silenciou...
Mas, uma mulher ao lado dele, uma desconhecida... uma estranha completa... se virou e disse:
O quê? Esse prédio é lindo. Ela está absolutamente certa! E o senhor é um grande idiota!
O sinal abriu, a estranha atravessou a rua e seguiu com a vida dela.
Para Elaine, esse foi o momento em que tudo começou.
Não porque alguém lhe deu um plano de fuga. Não porque alguém ofereceu terapia, ou abrigo, ou um número de telefone. Mas porque, em um segundo, uma estranha devolveu a ela algo que anos de abuso tinham roubado: a certeza de que ela não merecia aquilo.
Se nós encontrássemos essa mulher anos depois e disséssemos que ela salvou uma vida, ela provavelmente diria:
Eu? Salvar vidas? Eu não sou médica! Eu não salvo vidas!
Eu teria dito a mesma coisa.
Cinco anos atrás, durante uma sessão, eu disse algo para uma paciente. Não me lembro exatamente o quê. Pode ter sido uma pergunta... pode ter sido uma reflexão... pode ter sido algo que eu nem registrei como importante... para mim, era só mais um dia comum, mas, para ela, foi o momento em que a vida mudou de direção.
Ela voltou, cinco anos depois, para me contar que tinha se tornado psicóloga, e que aquela sessão tinha plantado algo que cresceu e cresceu até virar uma profissão, um propósito, uma vida inteira construída a partir de um momento que eu nem sequer lembrava.
É isso que terapeutas raramente veem: a onda.
A sessão termina, o paciente sai, e você segue para a próxima hora. Mas as palavras continuam trabalhando...
Às vezes, por anos...
Às vezes, por uma vida inteira...
Eu não cheguei à psicologia por um caminho reto.
"Somente um médico ferido pode curar."Carl Gustav Jung
Eu não cito isso como filosofia... eu vivi isso. A dor que eu passei não é algo que superei apesar do caminho... é o que me faz capaz de sentar na frente de alguém que está sofrendo e dizer, de verdade: "eu entendo."
"Não podemos resolver um problema com a mesma mente que o criou."Albert Einstein
Às vezes, a solução precisa de alguém que chegou por outro caminho... alguém que viu o mundo de ângulos diferentes, que quebrou, que reconstruiu, que aprendeu a olhar para o ser humano inteiro antes de olhar para o sintoma.
É isso que a biologia me ensinou antes da psicologia... que somos organismos antes de sermos pacientes... que antes da conversa, antes da análise, antes da descoberta, vem o básico:
Isso não é detalhe no meu trabalho, é fundação.
Um biólogo que virou psicólogo não separa a mente do corpo, ele vê o ser inteiro... cada aspecto dele...
E eu não me prendo a uma escola.
A psicanálise me deu ferramentas, a terapia cognitivo comportamental me dá ferramentas, a abordagem humanista me dá ferramentas. Quem determina o que sai da caixa é a necessidade do paciente, e não a lealdade do terapeuta.
Existe uma rede invisível que conecta cada interação humana honesta. A estranha na esquina não planejou salvar a Elaine. Eu não planejei criar uma psicóloga, e, provavelmente, cada um de nós carrega dentro de si um momento em que alguém mudou a nossa direção — alguém que nunca soube o que fez.
A terapia é um espaço onde esses momentos podem acontecer de forma intencional.
Não programada, porque o que transforma nunca é o que você planeja dizer, mas intencional, no sentido de criar as condições para que algo verdadeiro possa surgir entre duas pessoas.
Meu caminho até a psicologia passou pela programação, pela biologia, pelo jornalismo comunitário e por outro continente. Cada desvio me deu uma lente diferente para olhar o ser humano.
Trabalho com abordagem integrativa — psicanálise, TCC, abordagem humanista — porque acredito que o paciente determina a ferramenta, não o terapeuta.
Agende uma conversa com Rodrigo pelo TerapiaConecta.
Agendar via TerapiaConectaA história de Elaine é contada pela Dra. Rachel Naomi Remen e documentada no livro "Surviving Domestic Violence: Voices of Women Who Broke Free", de Elaine F. Weiss.